Olho para o espelho e só vejo uma pessoa fraca. Quantas vezes não quis já desistir? Quantas vezes não quis já acabar com tudo o que tenho, sem pensar em todos aqueles que sempre estiveram comigo? Quando vezes não perdi já as forças? Quantas vezes não baixei já os braços? Quantas vezes já dei por mim a chorar no meio de tanta gente? Quantas vezes já me levantei e coloquei um sorriso falso para não ter que dar explicações a quem finge importar-se comigo?
É verdade. Aquela menina sorridente que responde sempre 'Está tudo' à pergunta 'Tudo bem?', pode não existir. No fundo, eu sou uma rapariga fraca, desistente, irritante e que apenas quer acabar com toda esta dor. Sabes o que é perder alguém que amas muito? Compreendes-me? Será que sim? Será que não?
Não sei se deva continuar com isto. Talvez deva apenas colocar um ponto final. Acabo com o sofrimento e com sorte posso estar de novo junto a ti. Mas espera... E todos aqueles que me amam? Vou abandoná-los assim? E todos aqueles que só querem morrer, todos aqueles que querem fazer o mesmo que eu? Vou servir de exemplo? Todas aquelas princesas que com pequenas palavras eu já ajudei e até aquela rainha que já aguentou uma semana e picos sem cortar-se depois de ler o que eu tinha dizer-lhe? Vou deixá-las agora? Desistir assim delas? Não. Vou levantar-me, lavar a cara e colocar um sorriso. Falso ou não, é um novo dia.
' ( ... ) e as palavras mais bonitas são ditas ou escritas ao sabor do vento sem serem pensadas ... deixam um brilho nos olhos de quem as ouve ou lê e uma réstia de esperança em quem as diz ou escreve ... quem me dera que a minha vida fosse repleta dessas palavras . '
Aviso : todos os textos que serão aqui colocados , são da minha autoria . se alguém quiser tirar um , peça - me primeiro , caso contrário é plágio . todos eles são histórias verídicas .
sábado, 29 de setembro de 2012
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
reencontros . #1
"Domingo, dia 23 de Setembro de 2012.
Hoje a minha mãe pediu-me para ir com ela àquele sítio. Hesitei, bati o pé, mas acabei por não ter escolha. Lá fomos nós. É perto de onde vivemos, podemos ir a pé. O Verão foi-se embora e o Outono trouxe logo o Inverno atrás. Durante todo o caminho o vento gelado bate na minha face, fazendo-a congelar. Chegámos. Como sempre nestes últimos quatro anos, vou dar uma volta mais longa para não ter que passar à tua beira e sento-me no chão em frente à casa da Vovó que a minha mãe começa a limpar. Termina. Limpa a do Bisavô. O tempo não passa e os meus olhos teimam em fugir na direcção da tua casa. Eu não quero, não quero sofrer, não quero viver o fim. Não me sinto preparada e para ser sincera, nem quero sentir-me. A mãe dirige-se à outra ponta do local onde estávamos, mas eu permaneci no mesmo sítio, sempre a olhar em frente. De repente alguma coisa me fez levantar. A verdade é que era como se precisasse de me aproximar de ti. Comecei a caminha em direcção à tua casa. Pela primeira vez em quatro anos tinha tido coragem suficiente para fazer isto. "Em memória de Edgar (...)". Dor. Medo. Fragilidade. Foi tudo o que senti naquele momento. Mas não podia esperar mais. Olhei para a tua fotografia. Apercebi-me que era o fim, tudo tinha acabado. Tu não estavas em clínica de reabilitação nenhuma, tu não estavas fora. Tu simplesmente não vais voltar nunca mais. Nunca. Uma palavra tão forte. Sento-me à tua beira e começo a falar contigo à medida que todas as perguntas começam a surgir automaticamente na minha cabeça.
"Olá padrinho. Onde estás tu? Estás bem? Já conseguiste largar o vício? Isso aí tem Skatepark? És feliz? Sentes a minha falta? Amas-me? Orgulhas-te em mim? Estou a sair-me bem? Olhas por mim? Porque é que tiveste que partir assim tão cedo? Tu não merecias, eu sei que não. Não te peço que seja já, que seja hoje, mas espero que um dia consigas compreender o porquê de não ter ido ter contigo mais cedo. Quando tentei ir já era tarde demais. Espero que um dia possamos recuperar juntos todo o tempo perdido. Espero que um dia possa voltar a sentir-me segura no calor dos teus braços. Espero que um dia tenha o prazer de voltar a ouvir essa voz a dizer-me 'Amo-te muito pequena.'. Espero que um dia voltemos a ficar juntos, como dantes. Espero que um dia tudo isto mude, e que sejamos felizes para sempre. Até lá, eu vou sobrevivendo. Vou sofrendo. Vou chorando. Eu só queria que estivesses aqui, mas não estás. Eu só queria que me reconfortasses, mas não podes. Amo-te muito."
A mãe chega ao pé de mim e vamos embora. Chego a casa e corro para o quarto, onde me fecho a chorar. Até me faz bem e de vez em quando é preciso. Acalmo-me e vou buscar o álbum das fotos do baptizo. Há uma que me chama a atenção. Somo nós. Perto um do outro. Pego numa folha e numa caneta e começo a escrever. Sinto que estou a tornar-me repetitiva, mas o problema é não conseguir viver mais histórias que possa descrever.
"partis-te. já não te ouço, já não te vejo, já não te sinto. já não me metes ao colo, já não me metes às cavalitas, já não me metes de cabeça para baixo, já não andas comigo de skate. já não me dizes que sou a melhor afilhada do mundo, já não me dizes que vais ficar comigo para sempre, já não me dizes o tamanho do orgulho que tens em mim. já não cantas comigo, já não danças comigo, já não sorris c
omigo. o brilho dos meus olhos e parte de mim foram contigo, acredita. não acredito que nunca mais vou ouvir as batidas do teu coração, ou simplesmente a tua voz grossa, mas rouca. não consigo acreditar que nunca mais vou agarrar-me ao teu pescoço, colocar a mão junto do teu coração e dizer-te 'amo-te muito, padrinho.' . eu perdi o meu herói, mas não perdi o amor e orgulho que tenho por ele. sempre lutaste, sempre tentaste encontrar uma saída, mas a vida não te deixou. amo-te, aconteça o que acontecer, estejas onde estiveres.
p.s.: olha por mim, cuida da vóvó aí em cima e esperem por mim, por favor!"
Hoje a minha mãe pediu-me para ir com ela àquele sítio. Hesitei, bati o pé, mas acabei por não ter escolha. Lá fomos nós. É perto de onde vivemos, podemos ir a pé. O Verão foi-se embora e o Outono trouxe logo o Inverno atrás. Durante todo o caminho o vento gelado bate na minha face, fazendo-a congelar. Chegámos. Como sempre nestes últimos quatro anos, vou dar uma volta mais longa para não ter que passar à tua beira e sento-me no chão em frente à casa da Vovó que a minha mãe começa a limpar. Termina. Limpa a do Bisavô. O tempo não passa e os meus olhos teimam em fugir na direcção da tua casa. Eu não quero, não quero sofrer, não quero viver o fim. Não me sinto preparada e para ser sincera, nem quero sentir-me. A mãe dirige-se à outra ponta do local onde estávamos, mas eu permaneci no mesmo sítio, sempre a olhar em frente. De repente alguma coisa me fez levantar. A verdade é que era como se precisasse de me aproximar de ti. Comecei a caminha em direcção à tua casa. Pela primeira vez em quatro anos tinha tido coragem suficiente para fazer isto. "Em memória de Edgar (...)". Dor. Medo. Fragilidade. Foi tudo o que senti naquele momento. Mas não podia esperar mais. Olhei para a tua fotografia. Apercebi-me que era o fim, tudo tinha acabado. Tu não estavas em clínica de reabilitação nenhuma, tu não estavas fora. Tu simplesmente não vais voltar nunca mais. Nunca. Uma palavra tão forte. Sento-me à tua beira e começo a falar contigo à medida que todas as perguntas começam a surgir automaticamente na minha cabeça.
"Olá padrinho. Onde estás tu? Estás bem? Já conseguiste largar o vício? Isso aí tem Skatepark? És feliz? Sentes a minha falta? Amas-me? Orgulhas-te em mim? Estou a sair-me bem? Olhas por mim? Porque é que tiveste que partir assim tão cedo? Tu não merecias, eu sei que não. Não te peço que seja já, que seja hoje, mas espero que um dia consigas compreender o porquê de não ter ido ter contigo mais cedo. Quando tentei ir já era tarde demais. Espero que um dia possamos recuperar juntos todo o tempo perdido. Espero que um dia possa voltar a sentir-me segura no calor dos teus braços. Espero que um dia tenha o prazer de voltar a ouvir essa voz a dizer-me 'Amo-te muito pequena.'. Espero que um dia voltemos a ficar juntos, como dantes. Espero que um dia tudo isto mude, e que sejamos felizes para sempre. Até lá, eu vou sobrevivendo. Vou sofrendo. Vou chorando. Eu só queria que estivesses aqui, mas não estás. Eu só queria que me reconfortasses, mas não podes. Amo-te muito."
A mãe chega ao pé de mim e vamos embora. Chego a casa e corro para o quarto, onde me fecho a chorar. Até me faz bem e de vez em quando é preciso. Acalmo-me e vou buscar o álbum das fotos do baptizo. Há uma que me chama a atenção. Somo nós. Perto um do outro. Pego numa folha e numa caneta e começo a escrever. Sinto que estou a tornar-me repetitiva, mas o problema é não conseguir viver mais histórias que possa descrever.
"partis-te. já não te ouço, já não te vejo, já não te sinto. já não me metes ao colo, já não me metes às cavalitas, já não me metes de cabeça para baixo, já não andas comigo de skate. já não me dizes que sou a melhor afilhada do mundo, já não me dizes que vais ficar comigo para sempre, já não me dizes o tamanho do orgulho que tens em mim. já não cantas comigo, já não danças comigo, já não sorris c
omigo. o brilho dos meus olhos e parte de mim foram contigo, acredita. não acredito que nunca mais vou ouvir as batidas do teu coração, ou simplesmente a tua voz grossa, mas rouca. não consigo acreditar que nunca mais vou agarrar-me ao teu pescoço, colocar a mão junto do teu coração e dizer-te 'amo-te muito, padrinho.' . eu perdi o meu herói, mas não perdi o amor e orgulho que tenho por ele. sempre lutaste, sempre tentaste encontrar uma saída, mas a vida não te deixou. amo-te, aconteça o que acontecer, estejas onde estiveres.
p.s.: olha por mim, cuida da vóvó aí em cima e esperem por mim, por favor!"
Por hoje chega. Está na hora de por um sorriso na cara e tentar ser forte. Mais uma vez. Até ao fim da minha vida."
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