' ( ... ) e as palavras mais bonitas são ditas ou escritas ao sabor do vento sem serem pensadas ... deixam um brilho nos olhos de quem as ouve ou lê e uma réstia de esperança em quem as diz ou escreve ... quem me dera que a minha vida fosse repleta dessas palavras . '
Aviso : todos os textos que serão aqui colocados , são da minha autoria . se alguém quiser tirar um , peça - me primeiro , caso contrário é plágio . todos eles são histórias verídicas .

domingo, 22 de julho de 2012

confissões . #1

sou tímida , sou confusa , sou alegre , sou divertida , sou simpática , sou impaciente , sou irrequieta , sou ansiosa , sou nervosa , sou insegura . tenho medo . medo do mundo , medo de viver , medo das pessoas , medo do que pode acontecer , medo de mim mesma . sou a Catarina , tenho 14 anos , escrevo desde cerca dos nove .  escrevia por mera diversão , sem qualquer tipo de objectivo , sem qualquer tipo de interesse especial . era apenas uma forma de passar o tempo mais rapidamente . aos onze , escrevia praticamente todos os dias . escrevia frases soltas , palavras abstractas , que acabava por juntar e formar texto de duas a três páginas . foi nessa altura que comecei a mostrar os meus textos , aquilo que produzia , à minha família . sempre  me disseram que adoravam , mas sempre pensei que o dissessem apenas por serem simpáticos . comecei a acreditar em todos eles quando as minhas professoras de português ficavam de boca aberta a olhar para as minha composições nos testes , entre outras coisas . deixei de tratar isto como uma brincadeira , como um passatempo . passei a pegar na caneta ou movimentar os dedos no teclado , com todos os sentimento daquele momento . e quando as palavras começam a surgir naquela folha de papel ou naquele ecrã do computador , eu entro para um mundo , onde só eu existo . um mundo onde eu posso estar à vontade , um mundo onde ninguém me julga , um mundo onde posso ser eu . acima de tudo , um mundo onde posso escrever o que quiser . só existe uma coisa que nunca fui capaz de escrever acompanhado do verdadeiro sentimento . até hoje , nunca consegui escrever , ' sou feliz ' .

sexta-feira, 20 de julho de 2012

medos . #1

ali estava eu . uma pequena e ingénua criança , sentada no passeio , à espera que o padrinho chegasse com o skate . hoje íamos fazer a descida pela primeira vez , estava super entusiasmada ! ouvi a porta da casa dele a abrir e corri para o seus braços . no mesmo instante , ele fez o favor de me colocar às suas cavalitas e lá fomos nós , até à tão esperada descida . era provavelmente a descida mais reduzida da aldeia , mas para mim , era como se fosse a saltar de um penhasco . tinha apenas seis anos , mas o skate já era uma enorme paixão . para melhorar , o meu padrinho fazia o favor de me alimentar essa paixão cada vez mais , a cada dia que passava . ficámos os dois sentados no skate e ele deu um pouco de balanço com os pés . lá fomos nós , com os cabelos no ar , acompanhados dos meus belos gritos histéricos . depois de horas e horas de brincadeira , lá voltámos a casa . éramos vizinhos , as nossas casa eram separadas apenas por uma parede que eu fazia o favor de pular sempre que ia ao seu encontro . a seguir ao jantar , foi isso mesmo que eu fiz e corri até à janela do seu quarto que ele prometera ter sempre aberta para me receber . aquele que eu julgava ser o melhor dia da minha vida por ter feito uma descida com o skate , transformou - se automaticamente no pior , quando olhei para dentro do seu quarto e o vi a injectar - se . ele não notou na minha presença pois estava de costas para a janela . eu não gritei , não falei , não me mexi , não chorei , não sorri , não fiz absolutamente nada . apenas o observei com o maior cuidado possível . passados meros segundos que na altura me pareceram anos , ele caiu no chão , ao canto do quarto e começou a gritar de dor . aí sim , as lágrimas começaram a escorrer automaticamente pelo meu rosto . a certa altura , ele olhou - me nos olhos , ainda gritando . senti - me tão inútil que é impossível descrever . vê - lo ali no chão , a sofrer , e não poder fazer nada . tive a necessidade de fugir dali . saí de cima da pedra que me permitia pular pela janela e quando estava a pôr o pé direito no chão , ouvi - o chamar por mim e dizer - me para esperar . eu disse - lhe que estava ali , que não ia deixá - lo . eu não queria vê - lo a sofrer , não queria . sentei - me no chão junto à parede , com a cabeça entre o joelhos , até que o senti à minha beira . levantou - me , pegou - me ao colo e prometeu que iria ficar comigo para sempre ...